O Itaú BBA recém revisou em baixa as projeções de preço da celulose para os próximos três anos: de US$ 620/t para US$ 570/t entre 2026 e 2028, reduzindo em 17% o valor-alvo das ações da Suzano (de R$ 70 para R$ 58) e em 9% o da Klabin (de R$ 23 para R$ 21). A mudança reflete a verticalização chinesa, a entrada de novos projetos globais de fibra curta e a oferta adicional de papel, fatores que pressionam a commodity e, por consequência, os Ebitdas das produtoras brasileiras. Mesmo assim, o banco manteve recomendação de compra para ambas, com Suzano ainda preferida, dado o upside de 22% contra 19% da rival, além de fluxo de caixa projetado em 14% a partir de 2027, quando a aquisição da Kimberly-Clark estiver integrada.

Operacionalmente, Suzano deverá desembolsar R$ 9,4 bilhões em 2026 para adquirir 51% da joint venture com a Kimberly-Clark, o que levará o free cash flow da companhia a zero no ano, mas abrirá espaço em absorventes e fraldas de alta margem. O banco estima Ebitda de R$ 25 bilhões em 2026, praticamente estável, pois ganhos de eficiência e mix de produtos compensam o menor preço da celulose. Para 2027-2028, projeta geração acumulada de R$ 16,3 bilhões de FCF, o que reduz o risco de alavancagem; a dívida líquida/Ebitda deve cair de 3,2x para 2,1x, reforçando o perfil de investimento. Klabin, por sua vez, depende mais da celulose mercado spot e sofre com a desvalorização do dólar frente ao real, já que 60% de sua receita é exportada; o banco alerta que, se o cenário macro não melhorar, a companhia terá menos flexibilidade para passar custos no segmento de papel e embalagem, pressionando margens.

Do ponto de vista de mercado, o setor vive um novo ciclo de oferta: até 2030, estima-se que 10 milhões de toneladas adicionais de celulose entrem no mercado global, com 40% originadas da Ásia. A commodity já opera em contango no curve de futuros, o que indica precificação mais baixa para os próximos contratos trimestrais. Para investidores de longo prazo, a Suzano negocia a 5,3x EV/Ebitda 2026 e 4,7x 2027, abaixo da média histórica de 6,2x; Klabin, a 6,0x, ainda carrega prêmio, mas pode reverter caso surjam sinergias da fábrica de papel kraft em Puma, cuja ramp-up terminou em 2024. Riscos adicionais incluem volatilidade cambial, desaceleração do consumo na China e possível aperto de logística no Sul do Brasil, que já levou Suzano a declarar force majeure em 2023.

Oportunidades residem na consolidação downstream: a aquisição da Kimberly-Clark posiciona Suzano para competir diretamente com Essity e Procter & Gamble no mercado de hygiene, onde margens líquidas são 2-3x superiores à celulose commodity. Klabin pode capturar valor em embalagens sustentáveis, já que 70% de sua capacidade já opera com fibra 100% renovável e certificada FSC, atendendo a exigências ESG de grandes varejistas globais. Ambas empresas têm passivos atrelados a contratos de swap de carbono, o que pode gerar receitas não operacionais caso o preço das reduções de CO₂ se valorize. Em cenário de taxa de juros em queda, o custo de capital próprio cai, melhorando o valor presente dos fluxos futuros e tornando os papéis mais atrativos para fundos de dividend yield.

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