A iGreen Energy, uma startup de Uberlândia, tem chamado atenção com seu modelo de negócios que combina a oferta de energia solar por assinatura com práticas de marketing multinível e um discurso religioso. Fundada pelos irmãos Amanda Durante e Thiago Alexander no final de 2021, a empresa alega ter 500 mil clientes e promete quadruplicar esse número até 2026. O modelo de negócios da iGreen é baseado no pagamento de uma taxa de R$ 1.997 para se tornar um “licenciado”, com promessas de retorno financeiro rápido e comissões que podem se estender “até o infinito”. A empresa também oferece recompensas de alto valor, como cruzeiros, viagens internacionais e carros elétricos, para os licenciados que alcançam determinados níveis de sucesso.
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A iGreen opera em um setor que já produziu pirâmides financeiras e outras fraudes bilionárias, o que levanta questões sobre a sustentabilidade e a legitimidade do modelo de negócios da empresa. Além disso, consumidores reclamam de dificuldades para cancelar contratos, o que pode ser um indicativo de problemas com a transparência e a flexibilidade da empresa. A natureza do negócio também ocorre em um vácuo regulatório, o que pode aumentar os riscos para os investidores e os consumidores. A associação da empresa com a Vibra Energia, uma gigante que opera os postos Petrobras, pode trazer uma certa credibilidade, mas também pode levantar questões sobre a influência e o controle exercidos por essa empresa.
Os irmãos Durante têm experiência em marketing multinível, com Thiago tendo trabalhado anteriormente com a Herbalife e a Hinode, e Amanda tendo trabalhado em uma empresa que vendia energia por assinatura. A união das duas expertises levou à criação da iGreen, que busca aplicar técnicas de marketing multinível ao setor de energia solar. No entanto, a promessa de ganhos que “se estendem ao infinito” é matematicamente desafiadora e pode ser vista como uma estratégia de marketing agressiva. A empresa também utiliza um discurso religioso, com Amanda afirmando que o objetivo da iGreen é provocar uma transformação na “vida espiritual” dos parceiros.
A iGreen tem cerca de 25 mil participantes em sua rede e promete oferecer uma solução inovadora para o mercado de energia solar. No entanto, é importante que os consumidores e os investidores estejam cientes dos riscos e das implicações operacionais e de mercado associadas ao modelo de negócios da empresa. Em particular, é fundamental que os consumidores entendam claramente os termos e as condições dos contratos e que as promessas de retorno financeiro sejam realistas e sustentáveis. Além disso, a empresa deve estar preparada para lidar com as questões regulatórias e os desafios que podem surgir em um setor em constante evolução, como o marketing multinível e a energia solar por assinatura. A transparência e a flexibilidade serão fundamentais para o sucesso da iGreen no longo prazo.