O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, declarou neste domingo (30) que “ficará feliz em servir” como próximo chair do Federal Reserve caso seja escolhido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi dada durante entrevista ao programa “Fox and Friends”, da Fox News, em Washington. A manifestação ocorre após reportagem da Bloomberg News na semana passada indicar Hassett como favorito para suceder Jerome Powell, cujo mandato à frente da instituição termina em 2026. A indicação, se confirmada, será enviada ao Senado americano para aprovação.
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A escolha do chair do Fed é uma prerrogativa do presidente dos EUA, mas depende de confirmação pelo Senado. Jerome Powell, atual titular do cargo, foi nomeado por Trump em 2017, mas teve seu mandato renovado por Joe Biden em 2021. Apesar de integrar o board de governadores até 2028, Powell pode ser substituído como chair. Hassett, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump, é visto como alinhado à visão pró-crescimento e desregulamentação do republicano. Sua indicação sinalizaria uma possível guinada na condução da política monetária, com maior pressão por flexibilização regulatória e tolerância a inflação mais alta em nome do crescimento.
A mudança no comando do Fed tem implicações diretas sobre a política de juros dos EUA, que influencia custos de financiamento globais, incluindo os brasileiros. Um chair mais tolerante à inflação pode manter taxas de juros mais baixas por mais tempo, afetando o diferencial de taxas entre os dois países e pressionando o câmbio. Para o Brasil, isso pode significar uma valorização adicional do real frente ao dólar, reduzindo ainda mais a competitividade das exportações. Além disso, uma eventual queda nos rendimentos de ativos americanos pode redirecionar capitais para mercados emergentes, incluindo o brasileiro, em busca de rentabilidade.
A indicação ainda precisa passar por sabatina no Comitê Bancário do Senado, onde democratas e republicanos devem questionar a independência do candidato em relação ao Executivo. A expectativa é de que Hassett, caso oficializado, defenda uma postura mais intervencionista na condução da política monetária, o que pode gerar resistência entre senadores mais moderados. A votação deve ocorrer no primeiro semestre de 2025, antes do término formal do mandato de Powell como chair.