A recente proposta da Axia Energia — ex‑Eletrobras — de distribuir R$ 39,9 bilhões em reservas de lucro aos acionistas, mediante emissão de uma nova classe de ações preferenciais (PNC) que possuirá direito a voto, reflete uma tendência mais ampla de reestruturação corporativa no setor elétrico brasileiro. No mesmo contexto, a companhia sinalizou a retomada de estudos para migrar ao Novo Mercado da B3, o que implica maior exigência de governança corporativa e transparência, potencialmente elevando a confiança de investidores e influenciando, de forma indireta, o custo de capital das empresas do setor.

O Brasil, nesse cenário de reavaliação corporativa, está em uma fase de estabilização da inflação, que tem se mantido em torno de 9,5 % ao ano, após oscilações nos primeiros anos do ciclo de juros altos. O Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) para 13,75 % em julho, buscando conter pressões inflacionárias sem sufocar o crescimento. O efeito dessa política se manifesta no mercado de capitais: a volatilidade nos índices de renda variável diminui, mas o aumento das taxas de juros eleva o custo de financiamento e pode reduzir a demanda por projetos de investimento, especialmente no setor elétrico que depende fortemente de capex para expansão e manutenção da rede.

Em termos de emprego, o setor elétrico mantém sua relevância como gerador de empregos diretos e indiretos. O número de vagas criadas nos últimos anos foi de cerca de 15 % anual, com forte impacto na cadeia de valor que inclui construção civil, equipamentos e serviços. A distribuição de lucros proposta pela Axia pode, portanto, ter repercussões na renda dos acionistas, que incluem trabalhadores e pequenos investidores. Ao transformar reservas em ações preferenciais, a companhia aumenta o número de ações em circulação, diluindo a participação dos acionistas existentes, mas também possibilita um mecanismo de remuneração mais flexível, que pode ser convertido em ações ordinárias até 2031.

A iniciativa de migrar ao Novo Mercado traz implicações regulatórias relevantes. As empresas que aderem a esse regime adotam o princípio de “one share one vote” para todas as ações, além de padrões mais rigorosos de divulgação de informações e de estrutura de governança, como conselhos independentes e auditoria reforçada. Para a Axia, essa mudança pode fortalecer a percepção de risco de mercado, potencialmente reduzindo o spread de risco nos títulos corporativos. Entretanto, a necessidade de cumprir requisitos adicionais pode elevar custos operacionais e administrativos. Assim, a proposta de distribuição de R$ 39,9 bilhões, enquanto demonstra solidez financeira pós‑reestruturação, também exige análise cuidadosa de como esses recursos serão alocados para sustentar a competitividade em um mercado cada vez mais exigente, especialmente diante de cenários de preços de energia mais favoráveis e da necessidade de modernizar infraestruturas para atender a demanda crescente e as metas de sustentabilidade.

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