O controlador e CEO da CSN, Benjamin Steinbruch, anunciou um plano para reduzir a dívida da empresa, que atualmente é de aproximadamente R$ 18 bilhões. A proposta envolve a venda de participações em ativos para melhorar a relação entre a dívida líquida e o Ebitda da companhia. Steinbruch afirmou que a empresa está comprometida em resolver de uma vez por todas a questão da alavancagem e adequar a realidade necessária para permitir que os empreendedores continuem trabalhando de forma menos arriscada.

Esse plano é uma mudança significativa no estilo de gestão de Steinbruch, que é conhecido por ser um tomador de riscos. A empresa está enfrentando desafios, incluindo uma dívida elevada e uma dependência forte de seu controlador, o que aumenta o chamado key man risk. A CSN tenta atacar um dos pontos que mais incomodam o mercado há anos: a alavancagem elevada, que recorrentemente flerta com os limites previstos nos contratos de dívida – os chamados covenants. Para alguns investidores, não basta anunciar um plano ambicioso; é preciso demonstrar como ele será executado e quem colocará a estratégia em prática no dia a dia.

As ações da CSN fecharam o pregão do dia de anúncio em queda de 3,1%, apesar de o Ibovespa ter apresentado desempenho positivo. No acumulado de 12 meses, as ações da empresa registram alta de 24,8%, mas em cinco anos, a queda é de 71%. O mercado parece cético quanto à capacidade da empresa de executar o plano de desalavancagem e mudar sua trajetória. Para alguns investidores institucionais, a CSN é muito personificada em Steinbruch, o que dá agilidade às decisões, mas também aumenta a incerteza sobre a continuidade da estratégia se o comando mudar.

A CSN busca reconquistar a confiança do mercado com um plano que envolve gestão mais austera e liability management. Ainda que seja cedo para avaliar o sucesso do plano, é claro que a empresa enfrenta desafios significativos. A execução eficaz do plano e a continuidade da estratégia serão cruciais para que a CSN possa vencer a dívida e melhorar sua posição no mercado. A transparência e a comunicação clara sobre como o plano será executado e quem será responsável por colocá-lo em prática serão fundamentais para reconquistar a confiança dos investidores. A empresa também precisará lidar com questões de governança e sucessão para mitigar o key man risk e garantir a continuidade de sua estratégia.