Lisboa, 10 de janeiro de 2025. A três semanas da eleição presidencial, o deputado André Ventura, líder do partido Chega, e o ex-almirante Henrique Gouveia e Melo, candidato sem filiação partidária, registram 18 % das intenções de voto cada um, segundo levantamento ICS/ISCTE divulgado pelo semanário Expresso. O resultado coloca empatados os dois principais competidores na corrida ao Palácio de Belém, abrindo perspectiva de segundo turno em 8 de fevereiro, já que nenhum dos postulantes alcança maioria absoluta no primeiro escrutínio, marcado para 18 de janeiro. Completam o quadro o ex-presidente do PSD Luís Marques Mendes, com 16 %, e o ex-líder socialista António José Seguro, com 10 %.

A Presidência da República portuguesa, embora predominantemente cerimonial, detém poderes relevantes: pode dissolver o Parlamento, demitir o governo e convocar eleições antecipadas, além de exercer função de mediação entre forças políticas. Ventura, 42 anos, fundador do Chega em 2019, promete exercer o cargo de forma “intervencionista”, com foco no combate à corrupção e na redução do peso dos partidos tradicionais que governaram o país nas últimas cinco décadas. O partido cresceu rapidamente e tornou-se a segunda maior bancada na Assembleia da República após as eleições legislativas de maio de 2024. Gouveia e Melo, 65 anos, ex-comandante da Força Aérea Naval, adquiriu notoriedade em 2021 ao coordenar a campanha nacional de vacinação contra a covid-19 e apresenta-se como candidato de estabilidade institucional, sem programas de coalizão definidos, mas com discurso de contenção de gastos e valorização das Forças Armadas.

A pesquisa indica que, caso haja segundo turno, Ventura perderia tanto para Gouveia e Melo quanto para Marques Mendes, reflexo de taxas de rejeição que superam 50 % entre eleitores situados fora da base do Chega. O cientista político Adelino Maltez, da Universidade de Lisboa, observa que o objetivo estratégico de Ventura é consolidar o partido no mapa político nacional, utilizando a campanha para amplificar a visibilidade da legenda, mesmo sem expectativa de vitória final. Já o desempenho do almirante reforça a tendência de candidaturas independentes conquistarem espaço em contexto de desconfiança generalizada em relação às formações tradicionais, fenômeno que já havia sido registrado nas eleições autárquicas de 2021, quando independentes levaram várias câmaras municipais.

O calendário eleitoral prevê ainda dois debates televisivos oficiais, nos dias 12 e 15 de janeiro, organizados pela RTP e pela SIC, respectivamente, que podem alterar a dinâmica de voto, segundo analistas. A campanha ocorre em ambiente de contenção orçamentária, depois que o governo de maioria absoluta do PS aprovou o Orçamento do Estado para 2025 com apoio da direita parlamentar. A participação no pleito é facultativa, sendo o voto presencial ou por correio, com estimativa de comparecimento entre 55 % e 60 % do eleitorado, patamar habitual para eleições presidenciais em Portugal.

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