Tempestades tropicais que atingiram o sudeste da Ásia na última semana elevaram para mais de 600 o número de mortos e afetaram cerca de 4 milhões de pessoas em Indonésia, Malásia e Tailândia, segundo balanço divulgado neste domingo (30) por autoridades dos três países. A formação rara de uma tempestade tropical no Estreito de Malaca provocou chuvas torrenciais e ventos fortes durante sete dias, desencadeando enchentes e deslizamentos de terra que continuavam a dificultar operações de socorro no fim de semana.

O recuo parcial das águas permitiu que equipes de resgate retomassem o acesso a áreas isoladas, mas dezenas de milhares de desabrigados seguiam em abrigos temporários. A Indonésia registra o maior número de vítimas: 435 mortos, concentrados na região oeste do país, onde 1,1 milhão de pessoas foram diretamente afetadas. Na Tailândia, o governo confirma 170 óbitos e quase 3 milhões de atingidos, a maioria no sul do território. A Malásia, embora menos atingida, contabiliza três mortes e milhares de deslocados. Autores da catástrofe ainda tentavam dimensionar os danos a infraestrutura, lavouras e habitações, enquanto agências de saúde temiam surtos de doenças relacionadas à água contaminada.

O fenômeno meteorológico que causou a tragédia é considerado incomum para a região: ciclones tropicais costumam se formar mais ao oeste, sobre a Baía de Bengala. Desta vez, o sistema ganhou força próximo ao centro de população de mais de 300 milhões de habitantes que vivem ao longo do Estreito de Malaca, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo. Cientistas climáticos apontam que o aquecimento das águas do mar, somado ao padrão de ventos do período de transição do monção, criou condições favoráveis à intensificação da tempestade. O resultado foi um período de precipitação acima da média histórica, que superou 350 milímetros em 24 horas em vários pontos, desencadeando deslizamentos em encostas desmatadas e transbordamento de rios.

Além dos 608 mortos no continente asiático, outro ciclone que se deslocava sobre a Baía de Bengala atingiu Sri Lanka na mesma semana, elevando para 153 o número de óbitos na ilha, com 191 pessoas ainda desaparecidas e mais de 500 mil afetadas. A ONU e organizações humanitárias anunciaram o envio de suprimentos de emergência – colchões, kits de água potável e tendas – para os dois focos da crise, mas alertam que acesso a regiões remotas continua limitado por estradas parcialmente destruídas. Autoridades da Indonésia e da Tailândia já preveem a liberação de verbas extraordinárias para reconstrução, enquanto especialistas reforçam a necessidade de planos de evacuação e sistemas de alerta mais robustos diante da frequência crescente de eventos extremos na região.

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