O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, deixou na manhã deste sábado, 29, o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos (SP) com tornozeleira eletrônica e impedimento de movimentar recursos financeiros. A soltura ocorre 11 dias após sua prisão na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bancárias envolvendo a venda de carteiras de crédito inexistentes ao BRB. A decisão, assinada pela desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares aplicadas também a outros quatro executivos do Master.
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As apurações da Polícia Federal indicam que o banco privado vendeu ao banco estatal do Distrito Federal carteiras de crédio falsas que somam R$ 12,2 bilhões. Segundo os investigadores, a operação serviria para mascarar o rombo nas contas do Master. O banco alega ter agido de boa fé e diz que permitiu ao BRB substituir os ativos para evitar prejuízo. O caso levou o Banco Central a decretar, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial da instituição — menos de 24 horas depois de consórcio liderado pelo Grupo Fictor e por investidores dos Emirados Árabes anunciar interesse na compra do Master.
A prisão de Vorcaro, no dia 17, aconteceu no momento em que ele tentava embarcar em um jatinho com destino ao exterior. A Polícia Federal já havia retido seu passaporte. Na decisão que concedeu habeas corpus, a desembargadora Salgado apontou que os crimes não envolveram violência ou grave ameaça à pessoa, o que justificaria a adoção de medidas alternativas à prisão. Além do monitoramento por tornozeleira, o banqueiro fica proibido de realizar operações financeiras e deve entregar o passaporte às autoridades. A expectativa é que o equipamento de vigilância já esteja instalado no momento da liberação.
A tentativa de compra do Master pelo BRB, feita pública em março, foi vetada pelo Banco Central após cinco meses de análise. A operação enfrentou resistência nos bastidores e adicionou tensão entre os órgãos de regulação e os acionistas do banco. Com a liquidação extrajudicial decretada, o futuro da instituição agora passa pelos interessados que surgiram antes do colapso. Vorcaro e os demais executivos seguem investigados por crimes financeiros e podem responder por prejuízos que, segundo cálculos preliminares, extrapolam R$ 12 bilhões.