A Votorantim acaba de fechar um acordo para vender o controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para um consórcio formado pela chinesa Aluminum Corporation of China Limited (Chalco) e pela anglo-australiana Rio Tinto. O valor da transação é de R$ 4,69 bilhões pela fatia de 68,6% que a Votorantim detém na CBA. Além disso, os compradores se comprometem a realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) para os acionistas minoritários, o que eleva o desembolso total para R$ 6,8 bilhões. Considerando as dívidas a serem assumidas, o negócio total chega a R$ 10,7 bilhões. O preço por ação está fixado em R$ 10,50, sujeito a ajustes com base no CDI e em eventuais distribuições de lucros realizadas pela companhia. O fechamento da operação ainda depende de aprovações regulatórias em vários países, incluindo Brasil, China, Alemanha, Coreia do Sul e Uruguai.
A venda da CBA marca uma mudança significativa na estratégia da Votorantim, que busca diversificar seus negócios e reduzir sua dependência de setores cíclicos. A Companhia Brasileira de Alumínio foi uma das bases da formação do grupo Votorantim e sempre foi considerada uma empresa estratégica para o conglomerado. No entanto, com a morte de Antônio Ermírio de Moraes em 2014, a família Ermírio de Moraes passou a buscar negócios mais previsíveis financeiramente e menos dependentes de ciclos. A aquisição de participações relevantes na concessionária Motiva e na farmacêutica Hypera são exemplos dessa mudança de estratégia. A CBA, por outro lado, exige um capex elevado e opera em um mercado em desaceleração, o que tornou sua manutenção no portfólio da Votorantim menos atraente. Além disso, o endividamento da CBA, que é de 2,45 vezes a dívida líquida pelo lucro operacional (Ebitda), também contribuiu para a decisão de vender a empresa.
A operação tem implicações operacionais significativas, pois a CBA é a maior produtora de alumínio da América Latina, com uma produção integrada da bauxita ao alumínio. A venda da empresa para um consórcio formado por playeres globais como a Chalco e a Rio Tinto pode trazer benefícios para a CBA, como o acesso a mais recursos e tecnologia. No entanto, também existem riscos, como a possibilidade de mudanças na gestão e na estratégia da empresa. Além disso, a operação também pode ter implicações para o mercado de alumínio no Brasil e na América Latina, pois a CBA é um player importante nesse setor. A integração da CBA com as operações da Chalco e da Rio Tinto pode trazer benefícios de custo e melhoria da eficiência, mas também pode levar a desafios de gestão e coordenação.
A venda da CBA pela Votorantim é um exemplo de como as empresas precisam se adaptar a mudanças no mercado e na economia. A capacidade de se reinventar e buscar novas oportunidades é fundamental para o sucesso a longo prazo. Nesse sentido, a Votorantim parece estar seguindo uma estratégia de diversificação e redução de riscos, o que pode ser uma abordagem prudente em um mercado em constante evolução. A operação também destaca a importância da gestão de riscos e da avaliação de oportunidades para as empresas, especialmente em setores cíclicos e com alta exposição a fatores externos.
