O mercado de criptomoedas no Brasil está experimentando um crescimento significativo com o aumento da circulação de stablecoins ligadas ao real. Existem atualmente 13 stablecoins atreladas à moeda brasileira, que juntas somam uma circulação de US$ 140 milhões, equivalente a cerca de R$ 707 milhões. Stablecoins são criptomoedas pareadas a ativos do mercado tradicional, como o dólar, ouro ou real, e têm como objetivo minimizar a volatilidade comum no mercado de criptomoedas. No Brasil, essas stablecoins podem ser divididas em dois grupos: as voltadas ao varejo, que são negociadas em exchanges de criptomoedas e permitem autocustódia em carteiras digitais, e as direcionadas a investidores institucionais, que operam em blockchains permissionadas.
As stablecoins de varejo, como BRZ, BRLA, cREAL, BRL1, BRLM e VRL, somavam cerca de US$ 44 milhões em fornecimento combinado on-chain em maio de 2023. Os protocolos Polygon, Celo e XRP Ledger concentram a maior parte das emissões dessas stablecoins. Já as stablecoins direcionadas a investidores institucionais, como ABRL, BRLV, BBRL, BRLD, BRLN, BRD e BRS, operam de forma mais restrita. A criação dessas stablecoins foi impulsionada pela paralisação do projeto Drex, do Banco Central, que visava criar um real digital. Com isso, o setor privado assumiu a liderança na criação de criptomoedas ligadas ao real, com o objetivo de transformar as stablecoins em real em um sucesso semelhante ao das stablecoins em dólar no exterior.
A blockchain é uma tecnologia fundamental para o funcionamento das stablecoins, pois permite a registro transparente e seguro das transações. Além disso, as stablecoins são negociadas em exchanges de criptomoedas, o que facilita a compra e venda desses ativos. No entanto, é importante considerar os riscos e a volatilidade associados ao mercado de criptomoedas, bem como as implicações regulatórias. A tokenização de ativos é outro conceito importante nesse contexto, pois permite a representação digital de ativos tradicionais.
A Anbima recentemente deu sinal verde para um projeto-piloto de tokenização com 20 consórcios selecionados, incluindo grandes bancos. A expectativa é que mais uma stablecoin surja a partir da iniciativa. Como o mercado de stablecoins ligadas ao real continua a crescer, é provável que vejamos mais inovações e desenvolvimentos nesse espaço. A utilização de stablecoins pode ser prática para alguns usuários, especialmente em contextos de pagamentos e transferências internacionais.