O Brasil está tentando expandir sua malha ferroviária, que um dia foi uma das mais extensas do mundo, mas atualmente encontra-se em condições precárias. Com 30,5 mil quilômetros de ferrovias, o país tem mais trilhos do que a França ou o Japão, mas dois terços deles estão fora de serviço. O governo federal pretende realizar oito leilões de ferrovias até 2026, incluindo três linhas totalmente novas, com um total de 9 mil quilômetros de extensão e investimentos estimados em R$ 140 bilhões. No entanto, é improvável que o setor privado forneça todo o financiamento necessário, tornando o apoio estatal, seja do Brasil ou da China, essencial para a viabilidade desses projetos.
A expansão ferroviária é um negócio caro, com cada quilômetro de trilhos custando cerca de R$ 27 milhões, mais de três vezes o valor de uma rodovia. O retorno sobre o investimento pode levar décadas e nem sempre é garantido. Mesmo em países ricos, a construção e manutenção de ferrovias dependem de subsídios estatais. Na China, a estatal China State Railway liderou a expansão ferroviária, enquanto na Europa, empresas estatais como a Deutsche Bahn, na Alemanha, e a SNCF, na França, ainda bancam parte da operação dos trens, especialmente os de passageiros. No Brasil, poucas empresas conseguiram tornar o negócio ferroviário rentável desde que a malha foi privatizada nos anos 1990.
O contexto econômico também é um desafio. Com uma inflação controlada, mas ainda presente, e juros altos, o financiamento de projetos de infraestrutura como ferrovias se torna mais difícil. Além disso, o mercado de trabalho, com uma taxa de desemprego ainda elevada, pode influenciar a demanda por transporte ferroviário. A expectativa é que esses leilões possam destravar o setor e atrair investimentos, mas a matemática impõe que o Estado terá um papel crucial no financiamento desses projetos.
A história mostra que, sem apoio estatal, a expansão ferroviária é difícil. O Brasil já tentou estimular o setor com privatizações, programas de aceleração de crescimento e regimes de autorização para a construção de ferrovias privadas, mas a malha ferroviária ainda não voltou a crescer de forma significativa. A parceria com a China, através de suas estatais, pode ser uma das chaves para viabilizar os investimentos necessários. A exemplo de outras experiências bem-sucedidas, o apoio estatal pode ser o fator determinante para que o Brasil consiga expandir sua malha ferroviária de forma eficaz.