Dois grupos econômicos apresentaram propostas para se tornar investidor estratégico na Copasa, uma das maiores concessionárias de água e esgoto do Brasil, em um movimento que avança no plano do governo de Minas Gerais de privatizar a empresa. O primeiro grupo é formado pela Itaúsa, o fundo soberano de Singapura GIC, a Equipav Saneamento e a Aegea Saneamentos, enquanto o outro grupo é liderado pela Equatorial. A transação, que pode ser uma das maiores do Brasil neste ano, envolve a possibilidade de o investidor estratégico adquirir até 45% dos direitos de voto na Copasa. Após a definição do investidor estratégico, a Copasa planeja lançar uma oferta pública de ações, o que deve reduzir o controle do Estado sobre a empresa.
A privatização da Copasa ocorre em um contexto econômico desafiador, com a inflação ainda elevada e os juros altos. A inflação, que fechou 2023 em 4,62%, deve ser monitorada atentamente, assim como os juros, que permanecem altos, influenciando o custo de capital das empresas. A Copasa, com sua importância no setor de saneamento, pode ser um atrativo para investidores que buscam ativos com potencial de longo prazo. O setor de saneamento básico tem sido visto como uma área estratégica para investimentos, dada a importância da infraestrutura para o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida da população. A privatização pode trazer mais eficiência e investimentos para o setor.
A estrutura do consórcio apresentada pelo grupo Aegea é semelhante ao modelo utilizado na privatização da Cedae, empresa de saneamento do Rio de Janeiro, em 2021. O investidor estratégico poderá adquirir 30% da Copasa antes da oferta pública, com a possibilidade de comprar mais ações no mercado durante a oferta, até um máximo de 45% dos direitos de voto. O fundo de infraestrutura Perfin aumentou recentemente sua participação na Copasa para cerca de 15% e também está em negociações para desempenhar um papel ativo na empresa após a privatização. A oferta pública de ações está programada para ocorrer até 1º de junho, com o preço da oferta a ser definido em 2 de junho. O estado de Minas Gerais, que atualmente detém 50,03% da Copasa, poderá manter no máximo 5% após a oferta pública.
Em uma análise prática, a privatização da Copasa pode significar um aporte significativo de recursos para o setor de saneamento, melhorando a eficiência e a qualidade dos serviços prestados à população. A presença de grandes investidores pode alavancar inversões em infraestrutura, gerando impactos positivos na economia local e nacional. O movimento reflete o interesse do mercado em ativos estratégicos e com potencial de crescimento.